segunda-feira, 1 de maio de 2017

Listas extraordinárias, de Shaun Usher


Não me lembro quando foi que comecei a fazer listas porque tenho a impressão de fazer listas desde sempre. Se já possuísse o conhecimento necessário e o cérebro preparado, provavelmente, recém-nascida, já teria elencado os pontos positivos e negativos da vida de bebê. O que sei é que desde a infância tenho feito listas, escritas ou mentais, sobre as coisas, muito disso influenciada pelas delícias que eu lia em livros e revistas quando alguém expressava seus gostos pessoais (ficções prediletas, nomes bonitos, medidas a tomar numa ilha). Eu pensava: “encantador isso, o sujeito ficar namorando a si mesmo criando suas listas”, porque quase todo tipo de autoenamoramento que não desandasse para o narcisismo e o esnobismo calculado me fascinava. Mas não ocorria só com listas personalíssimas. Gosto de listas estatísticas e de “procedimentos para caso este avião caia”. No meio dessa existência que é uma torrente de tópicos meus e dos outros, encontrar o livro Listas extraordinárias foi uma graça para uma madrugada divertida no sofá. 

O livro reúne listas diversas de pessoas que não se conectam sobre assuntos díspares. Há desde O dicionário do beberrão, de Benjamin Franklin, em que são listadas dezenas de expressões que servem para descrever um bêbado – “tomou o grande elixir de Hipócrates”, “arruinou a própria pança” e “está de pilequinho” são algumas delas –, até Motivos para internação no Hospital para insanos da Virgínia Ocidental, no período entre 1864 a 1869 – dentre os motivos, “induzido a entrar para o exército”, “leitura de romance” e “masturbação suprimida”. Li somente as listas que me interessavam porque o livro não é do tipo “para conhecer do cabo ao rabo”, mas do tipo “consulta”. Talvez seja uma boa ideia colocá-lo numa mesa de centro para instigar assuntos com as visitas. Melhor do que livros de arte decorativos sobre os quais ninguém sabe falar com profundidade. 

Selecionei algumas listas boas para exemplificar o tipo de lazer que o livro proporciona. No final da postagem, coloquei também algumas listas minhas. Nunca pude me denominar organizada porque a virtude da organização é vinculada somente a objetos, mas minhas listas são a prova de que sou organizada em conhecimento, pensamentos e fórmulas de conduta – um tipo de ordem que é mais importante do que ter uma mesa clean. Eu poderia determinar que da próxima vez que me perguntarem se sou organizada direi que “sim, organizada em pensamentos”, mas não o farei porque isso seria esperar intensidade de interlocutores possivelmente rasos que gargalham à toa e não compreendem sutilezas. Vida longa às listas, e mais desse tipo de cuidado privado a quem se desencantou de si mesmo numa época em que listas e diários só servem se forem jogados ao público que aplaude. 

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Na apresentação do Listas extraordinárias, Usher faz uma lista sobre por que é bom fazermos listas. Destaco dois pontos: 

4. Todos nós somos críticos. Classificar as coisas – da melhor à pior, da maior à menor, da mais rápida à mais lenta – pode ser viciante, sem dúvida porque faz com que nos sintamos muito inteligentes.
5. O tempo é precioso. Confiando um monte de informações monótonas a listas facilmente digeríveis, temos mais tempo para nos divertir e fazer listas.

*

Num dos diários de Susan Sontag, editados postumamente por seu único filho David, havia essa lista de Regras para criar um filho. Bonito e útil, seu conjunto de regras só é estranho pelo item 10: 

1. Ser coerente.
2. Não falar sobre ele com os outros (por exemplo, contar coisas engraçadas) na presença dele. (Não deixá-lo acanhado.)
3. Não elogiá-lo por alguma coisa que eu nem consideraria boa.
4. Não repreendê-lo com aspereza por algo que ele foi autorizado a fazer.
5. Rotina diária: comer, lição de casa, banho, dentes, quarto, história, cama.
6. Não deixar que ele me monopolize quando eu estou com outras pessoas.
7. Sempre falar bem do pai dele. (Nada de caretas, suspiros, impaciência, etc.)
8. Não desencorajar as fantasias infantis.
9. Ensinar-lhe que existe um mundo dos adultos que não é da conta dele.
10. Não supor que aquilo que eu não gosto de fazer (banho, lavar o cabelo) ele também não gosta.

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Os pecados de Newton. Lista que Isaac Newton escreveu aos 19 anos. Era dirigida a Deus e confessava seus pecados. Dentre eles, “gulodice”, “desejar a morte e esperar que ela venha para algumas pessoas” e “fazer tortas no domingo à noite”. Impossível não se identificar. 

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A lista Como a minha vida mudou, de Hilary North, que não morreu no atentado de 11 de setembro porque se atrasou para chegar ao trabalho. Ela lembra de cada colega seu que foi vitimado na tragédia e escreve coisas como:

Não posso mais sorrir para o Paul.
Não posso mais deixar a porta aberta para o Tony. 
Não posso mais fazer confidências para a Lisa.
Não posso mais reclamar do Gary. 

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Os onze mandamentos de Henry Miller. Escritos enquanto escrevia seu primeiro romance publicado, Trópico de câncer:

1. Trabalhe numa coisa de cada vez até concluí-la.
2. Não comece a escrever outros livros, não acrescente mais nada a Primavera negra.
3. Não fique nervoso. Trabalhe com calma, com alegria, com despreocupação no que quer que seja.
4. Trabalhe de acordo com a programação e não de acordo com o humor. Pare na hora estabelecida!
5. Quando não conseguir criar, você pode trabalhar.
6. Consolide um pouco todo dia, em vez de pôr novos fertilizantes.
7. Seja humano! Procure as pessoas, frequente os lugares, beba, se tiver vontade.
8. Não seja um burro de carga! Trabalhe só com prazer.
9. Abandone a programação, quando quiser – mas retome-a no dia seguinte. Concentre. Restrinja. Exclua.
10. Esqueça os livros que você quer escrever. Pense só no livro que você está escrevendo.
11. Escreva primeiro e sempre. Pintura, música, amigos, cinema, tudo isso vem depois.

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Jack Kerouac, com sua lista Crença e técnica para a prosa moderna, parece ter sido lido por muitos escritores dos nossos tempos:

28. Componha loucamente, sem disciplina, puramente, saindo de dentro, quanto mais louco melhor.
29. Você é um gênio o tempo todo.

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Estranhas ideias de Lovecraft. 222 ideias que H. P. Lovecraft compilou para uso posterior em histórias de ficção. Coisas como:

73. Ratos se multiplicam e exterminam primeiro uma cidade e depois a humanidade inteira. Aumentados em tamanho e inteligência.
97. Medo cego de uma floresta onde cursos d'água serpenteiam entre raízes tortas e onde ocorreram sacrifícios terríveis num altar enterrado – Fosforescência de árvores mortas. Chão borbulha.

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Um decálogo liberal, por Bertrand Russell: 

Talvez se possa resumir a essência da posição liberal num novo decálogo, que não pretende substituir o velho, mas apenas suplementá-lo. Os Dez Mandamentos que, como professor, eu gostaria de divulgar, poderiam ser redigidos nos seguintes termos: 

1. Não tenha certeza absoluta de nada.
2. Não pense que vale a pena esconder provas, pois elas certamente virão à luz.
3. Nunca tente desencorajar um pensamento, pois você com certeza vai conseguir.
4. Quando encontrar oposição, ainda que seja de seu cônjuge ou de seus filhos, esforce-se para vencê-la com argumentos, e não com autoridade, pois a vitória que depende de autoridade é irreal e ilusória.
5. Não respeite a autoridade dos outros, pois sempre vai encontrar autoridades contrárias.
6. Não use o poder para calar opiniões que considera perniciosas, pois, se fizer isso, as opiniões vão calar você.
7. Não tenha medo de ser excêntrico em suas opiniões, pois toda opinião que hoje é aceita já foi excêntrica no passado.
8. Tenha mais prazer com uma dissidência inteligente do que com uma concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deve, a primeira implica uma concordância mais profunda que a segunda.
9. Seja escrupulosamente verdadeiro, ainda que a verdade seja inconveniente, pois ela é mais inconveniente quando você tenta escondê-la.
10. Não tenha inveja da felicidade de quem vive num paraíso dos tolos, pois só um tolo achará que isso é felicidade.

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Sugestões para tomar ônibus integrados. Essa lista, que não transcreverei por completo, me fez entender por que a ala delirante do movimento negro não costuma citar Martin Luther King em seus textos raivosos: porque ele não era um ativista movido pelo ódio. Luther King é um dos poucos cristãos que fazem jus ao título. Dentre seus preceitos está o de não revidar atos violentos. Negros que comemoram quando brancos são fuzilados por radicais islâmicos na França ou ficam do lado de criminosos como o Champinha (vale recordar aquele texto abominável da Marilene Felinto na Caros Amigos, em 2004) realmente não têm como idolatrar uma liderança que recomendava: “Se o xingarem, não responda. Se o empurrarem, não empurre. Se lhe derem um safanão, não revide, mas sempre demonstre amor e boa vontade.”. Claro está que mesmo com toda essa bondade Martin Luther King não perdeu dinamismo. Sua atuação pacífica não era sinônimo de inércia. Foi essa lista que me levou a um interesse maior por ele e me fez comprar sua autobiografia, publicada pela Zahar, que lerei quando voltar de férias, em junho. Segue a explicação de seu contexto e parte da lista: 

O curso da história mudou em 1º de dezembro de 1955, quando Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar no ônibus a um passageiro branco e foi presa por isso. No ano seguinte, até os tribunais federais considerarem inconstitucional a segregação racial, ocorreu um boicote ao transporte público, liderado por Martin Luther King. Em 19 de dezembro de 1956, às vésperas de uma vitória histórica para os opositores da segregação, King elaborou uma lista de normas para aqueles que logo voltariam a tomar ônibus. 

1. Nem todos os brancos se opõem aos ônibus integrados. Aceite a boa vontade da parte de muitos.
2. Agora todos podem usar o ônibus inteiro. Sente-se no lugar vago.
3. Quando entrar no ônibus, peça ajuda ao céu e honre seu compromisso com a não violência absoluta em palavras e atos.
4. Demonstre em seus atos a calma dignidade de nossa gente em Montgomery.
5. Observe, em todos os aspectos, as regras usuais de cortesia e bom comportamento.
6. Lembre-se de que essa é uma vitória não só para os negros, mas para Montgomery e o Sul. Não se gabe! Não se vanglorie!
7. Fique quieto, porém amistoso; orgulhoso, mas não arrogante; contente, mas não ruidoso.
8. Tenha amor suficiente para absorver o mal e discernimento bastante para transformar um inimigo num amigo.

***

Agora, poucas das minhas inúmeras listas. A primeira poderia se chamar Melhores citações que estão em minha agenda 2017. São citações que fazem muito sentido para mim e tento sempre me lembrar delas para operar* coisas boas no meu cotidiano: 
[*operar é uma palavra de que gosto muito; seu problema é que foi sequestrada para uso abusivo por evangélicos e agora toda vez que a uso lembro de algum pastor] 

Pois cada qual considera claras ideias que estão no mesmo grau de confusão que as suas. 
Proust

Não se faz boa literatura com boas intenções nem com bons sentimentos.
André Gide

Cuidado com a bondade dos maus. 
Esopo

O perverso pode mudar de aparência, mas não de hábitos. 
Esopo

Quanto mais se estende o nosso conhecimento dos bons livros, mais se reduz o círculo dos homens cuja companhia nos é agradável. 
Feuerbach

Lembra-te: nada é estável nas coisas humanas. Evita, pois, tanto a euforia na prosperidade quanto a depressão na adversidade. 
Isócrates

Comunismo é uma religião igualzinha às outras. Pra quem acredita, não precisa explicação. Pra quem não acredita, não adianta explicação. 
Millôr Fernandes

A coisa principal na vida não é o conhecimento, mas o uso que dele se faz. 
Do Talmude

Não chegamos a conhecer as pessoas quando elas vêm a nossa casa. Devemos ir à casa delas para ver como são. 
Goethe

Os homens são geralmente tão avaros do seu dinheiro como pródigos dos seus conselhos. 
Marquês de Maricá

Quem vive contente com nada possui todas as coisas. 
Boileau

Os covardes duram mais, mas vivem menos. 
Sofocleto

Quando um chato diz “eu vou embora”, que presença de espírito!
Millôr Fernandes

*

Lista Aos meus amigos, com amor. Coisas que eu gostaria que meus amigos soubessem e entendessem: 

1. Sou contra qualquer tipo de corporativismo, seja entre profissionais ou entre amigos. Se você errou, não defenderei seu erro. Se você me conta uma história do seu ponto de vista, eu vou perguntar se não podemos olhar do ponto de vista da outra pessoa. Não espere concordância.
2. Não sei consolar ninguém. Se me trouxer um problema, direi militarmente “erga-se, ande e vamos pensando em alguma coisa para resolver isso logo”. Não vou ficar às voltas com você e seu problema. Sou sargenta com os meus problemas, serei com os seus.
3. Está triste ou depressivo? A menos que seja porque perdeu uma perna, uma pessoa querida ou está sofrendo perseguição de agiotas, não sou boa companhia. Peça-me dinheiro, mas não me peça para ouvir lamúrias.
4. Sou sua amiga. Sua. Não tenho obrigação de gostar de quem está com você de forma acessória. Não me tornei amiga da sua esposa ou do seu marido, não me tornei amiga dos seus filhos ou dos seus outros amigos. Se sou sua amiga, é porque me interessei por você. Não me obrigue a gostar de outras pessoas ligadas a você. Vou respeitá-las, é claro. Mas não tenho que gostar delas. Tanto não sou amiga dessas pessoas que, se você morrer, eu não terei mais contato com elas.
5. Só porque às vezes eu sumo não quer dizer que não pense em você. Eu penso. Muito.
6. Se você se tornar uma pessoa idiota, nós romperemos nosso relacionamento como os casais rompem o deles.
7. Você não precisa ser debochado só porque eu sou debochada. Cada um tem uma personalidade e quem foge da sua sem ser para o lado da virtude geralmente não fica bem. Se se ofender com algum deboche meu, fale. Fale, não fique mudo, nem beiçudo, nem me dando indiretas. 

*

Modismos de escrita que mancham quem escreve

1. Abuso de palavras do momento. Ex: empoderamento, resiliência.
2. Recursos especiais pedantes. Ex: usar parênteses para fazer uma palavra se transformar em duas, como em “partidarismo: uma opção (i)moral?” ou “o misógino e seus (des)afetos”. Muito comum em trabalhos acadêmicos, o que explica por que a universidade está ao lado da autoajuda barata ao derrubar árvores para transformá-las em lixo paginado. 
3. Eufemismos fajutos. Ex: desconstrução.
4. Encheção de linguiça. Não ser objetivo para parecer erudito. Subjetividade não é nem de longe sinônimo de inteligência, pensamento galante ou coisa que o valha. Uma pessoa ignorante subjetiva é algumas vezes pior que uma ignorante prática no palavreado.
5. Recorrência periódica a comparações esdrúxulas desproporcionais. Ex: “Bolsonaro é Hitler”, “Cunha é Hitler”, “Alexandre de Moraes é Hitler”, “o golpe [sic] lembra a Alemanha nazista”, enfim, “todo mundo que eu não gosto é Hitler ou se assemelha ao nazismo”.

*

Quando tinha dúvidas se pedia a mão de sua prima Emma, Darwin escreveu uma lista com prós e contras sobre o casamento (essa lista está no livro de Usher). Eu, que estou chegando naquela fase, inclusive biológica, em que se deve decidir se filhos são bons ou não, também fiz minhas listas de prós e contras. Os contras vencem de maneira evidente, mas não vou fingir que não existam prós. 

Motivos para ter filhos

1. Porque sou uma pessoa com clara cartilha educacional. Se infelizmente casais sem planos educacionais têm filhos, por que eu que tenho um método e princípios não deveria tê-los?
2. Porque sou intransigente em relação ao respeito, coisa que os pais não exigem mais: uma criança deve cumprimentar os outros, uma criança não deve interromper adultos falando, uma criança não deve ser o centro das atenções, uma criança deve ter rotina e saber que na maior parte do tempo seus progenitores não estarão abertos a suas negociações. E em público uma criança deve entender o que seus pais querem somente pelo olhar. 
3. Porque crianças são divertidas. E crianças educadas são muito bonitinhas. 
4. Porque é maravilhoso ter uma autoridade saudável sobre alguém que você ama.
5. Porque é maravilhoso brincar com crianças de igual para igual, e eu sei fazer isso sem parecer uma adulta constrangida porque está tentando fazer uma girafinha falar com voz fanha. Aliás, brincar pra valer não me causa nenhum constrangimento.
6. Porque famílias bonitas me encantam. Famílias em que os membros são amigos, comem juntos, cozinham juntos, dão suporte uns aos outros, dividem as tarefas domésticas, celebram. Não estou falando de “o grupo da família” no Whatsapp. Estou falando de comunhão presencial.
7. Porque terei quem me acompanhe ao médico quando eu usar bengala. 

Motivos para não ter filhos

1. Porque gosto muito de mim mesma para ter que dividir minha atenção com outras pessoas.
2. Porque se me meto a fazer, quero fazer bem feito. Isso significa que eu não aceitaria ser uma mãe mais ou menos. Isso significa que a maternidade tomaria muito do meu tempo e da minha energia.
3. Porque eu gosto de silêncio. Gosto de tomar café (descafeinado) na janela e esperar aviões passarem, e eu sempre apreciei poder ouvir um avião passando ao longe e perceber que tudo o mais silencia. Gosto tanto do silêncio que gosto de estar em casa e ficar calada por horas: gosto de não ouvir nada, nem ninguém, inclusive minha própria voz.
4. Porque eu gosto de ir dormir muito tarde e acordar muito tarde. Porque gosto do ar das duas horas da madrugada. Ao mesmo tempo, sempre fiz questão de, por saúde e conforto, dormir minhas 8h diárias.
5. Porque não posso devolver meus filhos caso a experiência seja mais penosa do que gratificante.
6. Porque gosto de ficar por três horas, sem interrupção, lendo um livro.
7. Porque gosto muito de ler. Porque não quero ser uma pessoa do “não tenho tempo para”. 
8. Porque eu evito trazer quaisquer pessoas novas para meu ambiente familiar e também evito entrar em novos ambientes. Porque não preciso e não me farão bem novos relacionamentos íntimos forçados. Porque não quero ter que me envolver com os pais dos colegas dos meus filhos só porque nossos filhos são amigos. Porque me corroem obrigações sociais. 
9. Porque sou ansiosa, e mesmo com as coisas mais banais. Consegui trabalhar minha ansiedade e hoje estou calma. Mas para ela voltar basta um estalo, e um filho é muito mais que um estalo, é quase uma promessa de bomba.
10. Porque com meu senso de “a família é muito importante”, a possibilidade de que meus filhos não se tornassem amigos perenes seria muito ruim para meu coração (é por esse motivo que se eu tivesse filhos minha primeira opção seria dois meninos, a segunda opção seria duas meninas e só por último viriam um menino e uma menina: amizade perene entre irmãos de sexos diferentes são muito raras, tragicamente). 
11. Porque gosto de ser livre.

*

Lista de nomes bonitos. Se existisse uma profissão chamada "aconselhadora de nomes", eu gostaria de fazer bicos nela. Acho uma dádiva meus pais terem me dado um nome bonito, pois deve ser horrível não gostar do próprio nome. Só penso que não precisavam ter me dado um nome do meio, já que meu primeiro nome é forte o suficiente e meu sobrenome é incomum. Gosto do meu nome do meio, Raquel, mas o considero desnecessário. Minha lista pessoal de nomes bonitos é formada desde a minha infância (cogitei, em certa época pueril, que um filho meu poderia se chamar Barbaro): 

Barbara, Úrsula, Rosa, Suzana, Ângela, Ângelo, Walter, Wagner, Fausto, Frederico, Francis, Bóris, Glauco, Rubens.